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‘CEI da Maternidade’ aguarda demais convidados

14 de julho de 2015
‘CEI da Maternidade’ aguarda demais convidados

Na primeira oitiva à comissão, diretor clínico do Hospital Evangélico confirma denúncias, ratifica lista de reivindicações e diz que mudanças ‘dependem, na verdade, de vontade política’

Após a primeira oitiva realizada na tarde de 14 de julho no Plenário da Câmara Municipal, a CEI das Maternidades aguarda outros convidados para depor na Comissão Especial de Investigação criada para analisar situações envolvendo o atendimento médico a gestantes e recém-nascidos em Ponta Grossa. O primeiro a ser ouvido pela comissão foi o diretor clínico do Hospital Evangélico, Adilberto Souza Raymundo. Estão sendo aguardados para os próximos dias a diretora administrativa, Rosicléia Simão, e o presidente do hospital, Carlos Roberto Justus Madureira.

Na tarde de 14 de julho, Adilberto, acompanhado do advogado Luiz Lima, respondeu a perguntas dos cinco vereadores que compõem a CEI da Maternidade: Pietro Arnaud (PTB), presidente; Pastor Ezequiel Bueno (PRB), relator geral; e Amauri Manosso (PT), Taíco Nunes (PTN) e Professor Careca (SD), relatores especiais. Adilberto começou falando sobre o quadro de profissionais do Hospital Evangélico e detalhando a lista de 18 itens apresentada em ofício ao presidente da instituição, no último final de semana. Sobre o manifesto que assinou, representando o corpo clínico do hospital, publicado na imprensa em 12 de julho, Adilberto foi taxativo: “Foi uma colocação imatura do presidente [do Hospital Evangélico]. Ele não podia se manifestar antes de falar com o diretor clínico”, disse, lembrando que Madureira teria feito “colocações imaturas”. “A forma com que um corpo clínico se manifesta dentro de um hospital é aberta”, afirmou. “Não se deve trabalhar com leviandade”, completou.

“Quando o senhor se manifesta, revela que há uma ausência de diálogo no Hospital Evangélico [entre a direção clínica e a direção administrativa]. Isso é real?”, questionou Pietro. Adilberto confirmou e disse que não tem medo de ser demitido, “pois fui eleito para representar o corpo clínico”.

Na sequência, Adilberto revelou que a farmácia do Hospital Evangélico só funciona durante uma hora por dia – entre as 13 e as 14 horas –; que há a necessidade urgente de se rever a escala de plantonistas do hospital (que prevê jornadas de 36 a 60 horas); que existem, hoje, 17 médicos trabalhando no hospital e que não há serviço de camareira na instituição; e falou sobre outro quadro preocupante e que diz muito da saúde em termos de região dos Campos Gerais: segundo o médico, há gestantes que chegam ao Hospital Evangélico sem terem feito exames pré-natais.

Na segunda rodada de perguntas – uma vez que a oitiva iniciou às 13h30 e teve um intervalo entre 15h10 e 15h40 –, Adilberto disse que a instalação da CEI da Maternidade “veio oportunamente; a hora foi providencial”. “Esta CEI foi criada de uma forma extremamente importante para nós”, afirmou o médico. Vocês [vereadores], hoje, estão com o poder de trazer esta realidade [à tona]. Vocês estão inseridos num contexto que é prioritário para o hospital”, complementou.

Adilberto confirmou que o Hospital Evangélico pratica entre dez e 15 partos por dia (ou entre 300 e 400 partos/mês) e, ao ser questionado por Pietro sobre o número de enfermeiras no hospital, anuiu que seria de “bom senso” trabalhar até mesmo com um número menor de profissionais, “mas desde que isso seja efetivo”. Quase ao final da oitiva, Adilberto foi enfático ao pedir pelo não fechamento do Hospital Evangélico. “A nossa responsabilidade vai além de fechar o hospital por causa das funcionárias humildes que temos lá e que não terão como trabalhar em outro lugar se o hospital fechar”, afirmou. “As mudanças são mais simples do que parecem e dependem, na verdade, de vontade política”, concluiu.

“Nós estamos trabalhando para ajudar o Hospital Evangélico, e não para prejudicar a sua imagem”, disse Pietro Arnaud, ao final da oitiva. “Porém, o nosso trabalho não será feito para jogar a sujeira para debaixo do tapete ou por panos quentes nas situações. O cidadão paga impostos e deve saber de que forma funciona um hospital que presta atendimentos pelo SUS [Sistema Único de Saúde]”, finalizou.

Segundo Pietro, na manhã de 15 de julho, está marcada uma reunião com a diretora da 3ª Regional de Saúde, Sheila Mainardes.

(Foto: José Aldinan Oliveira/CMPG)