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‘CEI da Maternidade’ envia ofício à secretária de Saúde

15 de julho de 2015
‘CEI da Maternidade’ envia ofício à secretária de Saúde

Membros da comissão também irão oficiar o Ministério Público do Trabalho sobre as relações trabalhistas no Hospital Evangélico

Os cinco vereadores que compõem a “CEI das Maternidades”, a Comissão Especial de Investigação criada para analisar situações envolvendo o atendimento médico a gestantes e recém-nascidos em Ponta Grossa – Pietro Arnaud (PTB), presidente; Pastor Ezequiel Bueno (PRB), relator geral; e Amauri Manosso (PT), Taíco Nunes (PTN) e Professor Careca (SD), membros –, enviaram, no final do dia 15 de julho, ofício à secretária municipal de Saúde, Ângela Pompeu, solicitando cópia da última vistoria realizada pela Vigilância Sanitária no Hospital Evangélico. Além disso, de acordo com Pietro, também será enviado ofício ao Ministério Público do Trabalho (MPT) pedindo informações sobre as relações trabalhistas dentro da estrutura do Hospital Evangélico.

No início da sessão ordinária de 15 de julho, durante a comunicação parlamentar, Pietro voltou a falar na tribuna sobre os trabalhos da CEI das Maternidades. “Senhor presidente, a situação do Hospital Evangélico é bastante grave”, disse o vereador, lembrando que a Comissão ouviu as informações prestadas pelo médico Adilberto Souza Raymundo, diretor clínico do hospital, “que acabou confirmando diversas situações e irregularidades administrativas, infraestruturais, que possui aquele hospital”. “Situações gravíssimas, de médicos trabalhando mais de 60 horas. Situações em que, segundo o diretor clínico, a diretora administrativa [Rosicléia Simão] responde pela farmácia. Só que a farmácia só fica aberta uma hora por dia, quando as resoluções do Conselho de Farmácia, a lei federal, exige [a presença de] um atendente, um farmacêutico formado, com curso superior. E toda essa situação denota que a Comissão está correta. O Hospital Evangélico precisa, sim, de um choque de gestão”, ressaltou.

 

3ª Regional

Na sequência, Pietro relatou que se reuniu, na manhã do dia 15, com a diretora da 3ª Regional de Saúde, Sheila Tramontin Mainardes. “E eu contei a ela que recebemos informações do Hospital Evangélico de profissionais que afirmam estar recebendo pessoas de diversas cidades que não compõem a 3ª Regional de Saúde”, contou. Segundo o vereador, Sheila teria solicitado que a CEI lhe enviasse tais informações. “A situação é caótica e a administração do hospital […] não dialoga com a comunidade, não está falando com a imprensa […]. Não é colocando panos quentes nessa situação, não é lavando e varrendo a sujeira para baixo do tapete, que vamos resolver a situação”, disse.

Pietro disse que o Hospital Evangélico “recebe proporcionalmente mais dinheiro do que a Santa Casa [de Misericórdia] e o Hospital [Regional] Universitário“. Segundo ele, o Evangélico recebe entre R$ 320 mil e R$ 340 mil por mês da 3ª Regional de Saúde, por meio das Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs). “E recebem, ainda, desde 2012, um bônus que dá mais ou menos R$ 80 mil, [ou] R$ 270 por parto”, disse.

“Eu não quero, não desejo, nem mais um dia […] de silêncio do Hospital Evangélico. Porque, se tiver silêncio, vamos ter que ir para a frente do hospital todo dia […], gravando vídeos e contando para a população […] e fazer uma visita oficial, também, à 13ª Subdivisão Policial e, especialmente, à Polícia Federal, uma vez que estamos falando de ‘verba SUS’ [Sistema Único de Saúde], da perda de crianças e de uma ausência de administração”, afirmou Pietro, ao final do discurso. “Eu quero parabenizar os vereadores que compõem a Comissão e toda esta Câmara Municipal pela coragem de fazer essa investigação. Nós, que estamos dentro da Comissão, estamos vendo a pressão que sofremos. É uma pressão de todos os lados, mas não vamos nos acovardar. Vamos para cima e para frente”, concluiu.

Após a sessão, Pietro informou que, em 16 de julho, irá levar ao conhecimento do deputado estadual Doutor Batista (PMN), presidente da Comissão de Saúde Pública da Assembleia legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba, o que foi levantado até agora pela CEI da Maternidade. “Penso que essa comissão da Alep deve estar ciente do que está ocorrendo no Hospital Evangélico”, disse.