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Diretor da Maternidade Santana propõe criação de ‘pronto atendimento ambulatorial’ para gestantes

18 de setembro de 2015
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Vereadores Pietro Arnaud e Pastor Ezequiel, da CEI das Maternidades, ouviram também advogado que representa grupo Unimed

Durante oitiva realizada no início da tarde de 18 de setembro, no Plenário da Câmara Municipal de Ponta Grossa, para a CEI das Maternidades, o gerente administrativo da Maternidade Santana, Saulo Gabriel de Souza, propôs a criação de um “pronto atendimento ambulatorial” destinado exclusivamente a gestantes. O motivo é a necessidade urgente de melhoria do atendimento a pacientes de pré-natal.

Saulo, que estava acompanhado do advogado Edmar Costa, representante do grupo Unimed, foi ouvido pelos vereadores Pietro Arnaud (PTB) e Pastor Ezequiel Bueno (PRB) – respectivamente, presidente e relator-geral da CEI das Maternidades – e Daniel Milla (PSDB); além de Jiovany Kissilezicz, membro do Conselho Estadual de Saúde e representante do vereador Amauri Manosso (PT), relator especial da Comissão.

De acordo com Saulo, a necessidade do pronto atendimento ambulatorial justifica-se pela “precariedade” do preenchimento das carteirinhas que as gestantes devem manter durante a fase do pré-natal. Ele explicou que, ou essas carteirinhas são preenchidas por uma atendente, às vezes por uma enfermeira, mas “raramente” por médicos. “A situação do preenchimento da carteirinha é fundamental para o médico que fará o atendimento no hospital”, disse. “A gestante não tem nenhum atendimento na parte ambulatorial, e não existe, no momento, um serviço ambulatorial com médico obstetra”, continuou, lembrando que a criação desse tipo de serviço deve ser de responsabilidade da Administração Municipal.

Saulo ressaltou que, muitas vezes, o médico que fez o atendimento à gestante na unidade de saúde “não estratifica o risco da saúde da paciente” – se é de grau baixo, médio ou alto. “Muitas vezes, a gestante tem de fazer um exame de ecografia obstétrica, por exemplo, e nós a encaminhamos ao Centro de Saúde da Mulher, que, na maioria das vezes, tem lista de espera. Isso significa um deslocamento exaustivo e uma perda de tempo para a gestante”, afirmou. “Ninguém vai à maternidade por uma situação de doença, e sim de vida. É um envolvimento de felicidade. Por isso, o acolhimento às gestantes, no hospital, é fundamental”, completou.

 

Redimensionamento

Saulo Gabriel de Souza contou que a Maternidade Santana vem fazendo um redimensionamento de funcionários, uma vez que, em julho e agosto, houve duas demissões, além de uma funcionária ter entrado em licença de saúde. “No momento, não contamos com nenhuma enfermeira contratada da Maternidade Santana. Nós possuímos, sim, um suporte técnico das enfermeiras do Hospital Geral Unimed [HGU]. Tínhamos cinco enfermeiras, que davam conta de todos os plantões, e, por situações que ocorreram nesses meses, a gente está fazendo esse redimensionamento”, explicou. Quanto ao número de anestesistas, ele explicou que, hoje, são em torno de 15, que integram o corpo clínico do HGU, mas que prestam serviços à Maternidade Santana.

O gerente confirmou que a maternidade recebeu a visita de fiscais do Conselho Regional de Enfermagem (Coren). “O pessoal fez uma anotação de responsabilidade técnica e a gente solicitou o prazo de 30 dias, a contar do dia 16 de setembro”, disse.

A Maternidade Santana conta com 16 leitos obstétricos e tem um teto de 100 autorizações para internação hospitalar (AIHs) por mês – ou um valor de até R$ 45 mil. Como as despesas do hospital giram em torno de R$ 100 mil mensais, a quitação do restante da dívida, segundo Saulo, se dá com a venda de serviços prestados ao HGU e do reembolso do valor do aluguel do terreno onde a cooperativa está instalada.

 

Protocolo

Durante a oitiva, Saulo criticou um protocolo técnico elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde, intitulado “Pré-Natal-Baixo Risco”, que, segundo ele, foi recebido pela Maternidade Santana em 13 de agosto passado. “Estávamos aguardando esse documento desde janeiro deste ano, mas continuamos a discordar dele”, disse.

Como exemplo, Saulo contou que o protocolo sugere que uma paciente já com 37 semanas de gestação seja encaminhada diretamente a um hospital, e não a uma unidade de saúde. “Não: é até 40 ou 41 semanas”, observou, lembrando que nem ele e nem o corpo clínico da Maternidade Santana participou da elaboração desse protocolo.

Questionado pelo Pastor Ezequiel sobre a forma de relacionamento entre a Maternidade Santana e o HGU, Saulo respondeu que ela é “harmoniosa”. “Em termos de estrutura, a Maternidade Santana oferece às pacientes do SUS [Sistema Único de Saúde] o que há de melhor em Ponta Grossa. Do atendimento médico à refeição, o tratamento é o mesmo que para uma paciente da Unimed”, afirmou. “Eu sempre digo que a Maternidade Santana é o melhor hospital de Ponta Grossa”, acrescentou.

Segundo Saulo, a Maternidade Santana não mantém contrato com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). “As opções oferecidas não foram atraentes.”, explicou.

Quanto ao atendimento pela Central de Leitos, que funciona em Curitiba, Saulo disse que os atendimentos de baixa complexidade são feitos “de forma normal, no município”. Mas ressaltou que, de maneira geral, esse atendimento é “muito difícil”, principalmente em relação a se conseguir transporte para as pacientes.

 

APMI

Edmar Costa explicou que a Maternidade Santana é mantida pela Associação de Proteção à Maternidade e Infância de Ponta Grossa (APMI), instituição de direito privado que existe desde a década de 1920. “Desde 1950, ela começou a operar com a Maternidade Santana”, disse.

Já a o Hospital Geral Unimed (HGU) é uma cooperativa médica de direito privado e, também, uma operadora de plano de saúde. Segundo Edmar, a APMI e a Unimed mantêm um contrato de prestação de serviços. “É bom lembrar que o mesmo atendimento de plantão oferecido às pacientes Unimed é prestado às pacientes do SUS”, afirmou.

 

Mães

Ao final da oitiva, Pietro Arnaud ressaltou que a CEI das Maternidades irá convidar o Poder Executivo para responder às questões do atendimento de pré-natal, propostas por Saulo Gabriel de Souza. “Desejamos, também, ouvir mães que foram atendidas pela Maternidade Santana para confirmarem se foram bem atendida ou não”, afirmou.