Notícias

Em 20 anos, mortalidade infantil cai pela metade em PG

8 de fevereiro de 2017
23369138442_44b4b52023_o

Em 2016, Pietro alertou que óbitos fetais poderiam ter sido evitados

No início de maio de 2016, quando ainda presidia a CEI das Maternidades – Comissão Especial de Investigação criada na Câmara Municipal de Ponta Grossa para analisar situações envolvendo o atendimento médico a gestantes e recém-nascidos em Ponta Grossa –, o vereador Pietro Arnaud (Rede) alertou que 27,31% dos 267 óbitos fetais ocorridos em Ponta Grossa em um período de pouco mais de cinco anos (entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de março de 2016) poderiam ter sido evitados se tivesse havido maior qualidade no atendimento às gestantes no momento do parto.

Pietro baseou-se em documento divulgado pela Divisão de Epidemiologia e Controle de Doenças da Secretaria Municipal de Saúde. O levantamento foi elaborado pela assessoria do gabinete de Pietro, então vice-presidente da Câmara, com base em documento encaminhado pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade Infantil (SIM) da Vigilância Epidemiológica da pasta da Saúde – que, por sua vez, utilizou como parâmetro a “Lista de causas de mortes evitáveis por intervenções do Sistema Único de Saúde [SUS] do Brasil (2008)”.

O documento foi repassado a Pietro pela enfermeira Adriana Alves, do Apoio Institucional da Coordenação de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde, durante oitiva realizada em 28 de abril de 2016, no Plenário da Câmara, à CEI das Maternidades.

 

Em 20 anos, mortalidade infantil cai pela metade em PG

Levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde foi encaminhado ao vereador Pietro Arnaud no final de janeiro

Levantamento elaborado pela Divisão de Epidemiologia e Controle de Doenças da Secretaria Municipal de Saúde mostra que, em um período de 20 anos (entre 1996 e 2016), caiu praticamente pela metade o coeficiente de mortalidade infantil em Ponta Grossa. Segundo o documento, em 1996, o número de natimortos era de 20,7 por mil nascidos vivos; em 2016, caiu para 10,7/mil – um decréscimo de 48,3%. O levantamento foi encaminhado ao vereador Pietro Arnaud (Rede) em 26 de janeiro deste ano.

O estudo da Secretaria mediu o coeficiente de mortalidade infantil por mil nascidos vivos no Paraná e no Brasil entre 1996 e 2014, e em Ponta Grossa de 1996 a 2016. No município, ao longo de 20 anos, o coeficiente oscilou muito pouco, à exceção de 1999, quando saltou de 18,7/mil no ano anterior para 27,7/mil (aumento de 48,12%); em 2001, baixou para 22,8/mil (queda de 17,68% em relação a 1999). A maior queda foi registrada de 2010 para 2011, quando o coeficiente caiu de 15,8/mil para 8,34/mil (decréscimo de 47,21%). Nos anos seguintes até 2016, a oscilação foi muito pequena: 10,2/mil em 2012, 10,9/mil em 2014, 11,8/mil em 2014, 10,9/mil em 2015 e 10,7/mil em 2016.

Em um período de 18 anos (de 1996 a 2014), a queda em âmbito municipal acompanhou de perto os índices tanto do estado quanto do País. No Paraná, o coeficiente caiu de 20,7/mil em 1996 para 11,2/mil em 2014 (queda de 45,89%). No Brasil, o número saiu do patamar de 25,4/mil, em 1996, para 12,9/mil (menos 49,21%) em 2014.

 

Componentes

Também foi aferido o coeficiente de mortalidade infantil segundo seus componentes (por mil nascidos vivos): “neonatal precoce”, “neonatal tardio” e “pós-neonatal”. O coeficiente do primeiro – “neonatal precoce” – saiu de um patamar de 9,72/mil, em 1996, para 5,51/mil em 2016 (queda de 43,31%).

O coeficiente de “neonatal tardio” oscilou muito pouco ao longo de 20 anos: saiu do patamar de 2,64/mil em 1996 para 2,20/mil em 2016 (queda de 16,66%). Por fim, “pós-neonatal” oscilou de 8,40/mil em 1996 para 3,08/mil em 2016 (queda de 63,3%).

 

Óbitos fetais e mortalidade perinatal

Outro item avaliado no levantamento da Secretaria Municipal de Saúde foi o de índice de óbitos fetais, em Ponta Grossa, também entre 1996 e 2016. Em 20 anos, a queda foi significativa: o coeficiente saiu de um patamar de 114 óbitos fetais por mil nascidos vivos, em 1996, para 42/mil em 2016 (queda de 63,15%).

Nesse mesmo período, a taxa de mortalidade perinatal por mil nascidos vivos também caiu pela metade: saiu do patamar de 27,9/mil em 1996 para 14,6/mil em 2016 (queda de 47,67%). No Paraná, em 18 anos, a queda foi um pouco menor: de 21,3/mil, em 1996, para 14,2/mil em 2014 (oscilação de 33,33%). No Brasil, no mesmo período, também houve queda: de 25,3/mil, em 1996, para 17,4/mil em 2014 (menos 31,22%)

 

Mortalidade materna

A Secretaria Municipal de Saúde também avaliou o índice de mortalidade materna por 100 mil nascidos vivos em Ponta Grossa entre 1996 e 2016, e no Paraná e no Brasil entre 1996 e 2014. A avaliação é de que, nas três esferas, a oscilação dos números foi bastante intensa ao longo dos respectivos períodos.

No caso de Ponta Grossa, se forem considerados os números dos dois anos limítrofes (1996 e 2016), a queda não foi tão significativa: o coeficiente de mortalidade perinatal saiu do patamar de 32,9/100 mil, em 1996, para 22/100 mil em 2016 (queda de 33,13%). No entanto, ao se analisar os índices entre os anos do período estudado, as oscilações foram bruscas. De 32,9/100 mil, em 1996, subiu para estratosféricos 113/100 mil em 1997 (aumento de 243,46%). No ano seguinte (1998), no entanto, baixou, novamente, para um índice muito próximo – 33,2/100 mil (uma queda significativa de 70,61%). Em 1999, o coeficiente saltou para 95,1/100 mil (aumento de 186,44%). De 1999 para 2000, a oscilação foi bem menor: saiu de 95,1/100 mil para 84,5/100 mil (queda de 11,14%).

Em 2001, o índice caiu para 55/100 mil (decréscimo de 34,91%). Em 2002, subiu para 91,9/100 mil (aumento de 67,09%). E, em 2003, caiu novamente para 38,7/100 mil (queda de 57,88%). De 2003 para 2004, o coeficiente praticamente dobrou – saltou para 74,7/100 mil (aumento de 93,02%).

Em 2005, o coeficiente manteve-se estável, oscilando para 73,1/100 mil (queda de 2,14%), e, em 2006, caiu para 55,4/100 mil (decréscimo de 24,21%). Nos dois anos seguintes – 2007 e 2008 –, houve um leve aumento no coeficiente: em 2007, foi para 59,7/100 mil (mais 7,76%) e, em 2008, para 60,3/100 mil (mais 1%). Em 2009, o coeficiente saltou para 100/100 mil (aumento de 65,83%), baixando, novamente, em 2010, para um patamar parecido – 58,5/100 mil (queda de 41,5%).

Os anos de 2011 e 2012 registraram dois dos coeficientes mais baixos do período avaliado. Em 2011, o índice caiu para 19,4/100 mil (queda de 66,83%). Em 2012, houve uma pequena oscilação para baixo – 19/100 mil (queda de 2,06%).

Nos últimos quatro anos do período avaliado (2013, 2014, 2015 e 2016), o coeficiente sofreu oscilações bruscas. Em 2013, saltou para 77,2/100 mil (aumento de 306,31%). Em 2014, o índice caiu pra 18,8/100 mil (decréscimo de 75,64%), o mais baixo do período avaliado. Em 2015, o coeficiente saltou para 55,8/100 mil (aumento de 196,8%). E, por fim, em 2016, o índice baixou para 22/100 mil (queda de 60,57%).

Nas avaliações da razão da mortalidade materna no Paraná e no Brasil, em um período de 18 anos as oscilações não foram significativas. No caso do estado, o coeficiente caiu de 57,5/100 mil em 1996 para 41,2/100 mil em 2014 (queda de (28,34%). No País, no entanto, houve um aumento entre os dois anos limítrofes: aumentou de 51,6/100 mil, em 1996, para 58,3/100 mil em 2014 (acréscimo de 12,98%).

Secretaria baseou-se em dados do Ministério da Saúde

Para fechar o levantamento de todos os dados analisados – mortalidade infantil, mortalidade infantil segundo seus componentes (neonatal precoce, neonatal tardio e pós-neonatal), óbitos fetais e mortalidade materna –, a Divisão de Epidemiologia e Controle de Doenças da Secretaria Municipal de Saúde baseou-se no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) do Departamento de Análise de Situação em Saúde da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS/SCS/DASIS) sobre dados de 1996 a 2014 no Brasil, no Paraná e tendo como município de residência Ponta Grossa.

Já os dados do município entre 2014 e 2016 foram levantados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) da própria pasta. Os dados locais têm como data-limite o dia 30 de novembro de 2016.