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Pietro Arnaud repudia declaração do deputado federal Sandro Alex

31 de maio de 2016
Sandro Alex critica cei maternidades

Presidente da CEI das Maternidades assinou Moção de Repúdio a declaração do parlamentar postada em redes sociais questionando levantamento de óbitos materno-infantis

O vereador Pietro Arnaud (Rede), vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Grossa, assinou, na manhã desta terça-feira (31), Moção de Repúdio a declaração do deputado federal Sandro Alex (PSD) postada em redes sociais, questionando levantamento de óbitos materno-infantis elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde e pela 3ª Regional de Saúde. Dessa forma, na avaliação de Pietro, o deputado também desprestigiou o trabalho realizado pela Comissão Especial de Investigação (CEI) das Maternidades – da qual é presidente – “a verdadeira responsável pela decisão do governo do estado de inaugurar uma maternidade no Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais [HURCG] e, assim, atender às gestantes encaminhadas ao Hospital Evangélico [que, como já é de conhecimento público, paralisou suas atividades nesta segunda para que sejam feitas melhorias no prédio]”.

Em redes sociais, Sandro Alex foi questionado pelo internauta Luiz Antonio Soares: “Realmente, nesses 30 anos nossa cidade foi administrada 22 anos pela situação (dos quais três são da atual administração) e mesmo tendo aliados na esfera estadual e federal não fizeram as suas obrigações. O lamentável é que, segundo no relatório da Comissão Especial de Investigação (CEI-Pietro Arnaud Santos da Silva-) das Maternidades, da Câmara de Ponta Grossa, nos últimos três anos perdemos 221 crianças em Ponta Grossa. Será que poderíamos ter esperado tanto tempo para ter esse benefício e não somente às vésperas do início das restrições impostas pela Lei Eleitoral para a reeleição?”.

A resposta do deputado foi esta: “O último relatório sério realizado em PG foi feito pelo Dr, [Fuad] Farad [sic] [que atuou como promotor de Justiça na Comarca de Ponta Grossa na década de 2010]. Lá ele falava sobre o levantamento antes desta gestão. Todos os indicativos sérios depois disto apontam pela melhoria do sistema e de investimentos realizados. Não posso acreditar que alguém que tentou impedir as UTIs de serem abertas no HU tenha feito algo sério. Abs e Saúde”.

Sobre essa declaração do deputado Sandro Alex, Pietro afirma que ela é uma ofensa ao trabalho realizado pelos cinco vereadores que compõem a CEI das Maternidades (além de Pietro, o Pastor Ezequiel Bueno [PRB], relator geral; e Amauri Manosso [Rede], Taíco Nunes [PTN] e Professor Careca [PR]) e também ao trabalho da Câmara Municipal de Ponta Grossa. Segundo Pietro, as informações referentes a óbitos fetais e infantis foram obtidas da atual administração de Ponta Grossa e da 3ª Regional de Saúde. Segundo o último relatório, baseado em documento divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, 27,31% dos 267 óbitos fetais ocorridos em Ponta Grossa em um período de pouco mais de cinco anos (entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de março de 2016) poderiam ter sido evitados se tivesse havido maior qualidade no atendimento às gestantes no momento do parto. Do total de 267 óbitos, as causas de 164 mortes seriam “evitáveis” (61,42%), segundo a lista. Desse total, 73 mortes (27,31% do universo de 267) poderiam ter sido “reduzíveis por adequada atenção à mulher no parto”. Se for considerar esta categoria dentro do universo dos 164 óbitos fetais evitáveis, o porcentual aumenta: 44,51%.

Pietro explica que as informações levantadas pelo internauta Luiz Antonio Soares referem-se a levantamento divulgado pela 3ª Regional de Saúde, que mostra que, em um período de oito meses (entre janeiro e agosto de 2015), o município de Ponta Grossa registrou 35 mortes de recém-nascidos – o que dá uma média de mais de quatro mortes de bebês por mês, ou uma a cada semana. Em pouco menos de três anos, portanto – se forem considerados os anos cheios de 2013 e 2014 e os oito primeiros meses de 2015 –, foram computadas 221 mortes de nascituros em Ponta Grossa em um universo que abrange 21 municípios de origem dessas crianças – 15 da região dos Campos Gerais, dois da Região Metropolitana de Curitiba, dois da região Centro-Oeste, um da região Centro-Sul e um do Norte Pioneiro do Paraná.

 

Leitos

Pietro Arnaud destaca, ainda, que jamais foi contra a abertura de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) no Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais, e que sempre lutou para abrir os leitos de UTI pediátrica fechados pelo prefeito Marcelo Rangel (PPS), irmão do deputado Sandro Alex. Segundo Pietro, os dez leitos que existiam no Hospital da Criança João Vargas de Oliveira, interditados durante o governo do ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho (2009-2012) e fechados no atual governo de Marcelo Rangel, “eram os únicos leitos públicos na cidade, à época”. “Uma simples pesquisa na rede mundial de computadores comprova que lutei por mais leitos em Ponta Grossa”, afirma Pietro. “O trabalho da CEI das Maternidades é um divisor de águas para o atendimento obstétrico na cidade. Não fossem as nossas denúncias, o Estado jamais inauguraria a nova maternidade”, ressalta.

 

Conselho de Ética

Pietro Arnaud lamenta as declarações do deputado Sandro Alex e lembra que ele faz parte do Conselho de Ética da Câmara Federal. “Além de ter criticado várias vezes o Hospital Regional, o deputado é representante da rádio de sua família [Mundi FM] em contrato com uma rádio educativa da região dos Campos Gerais, cujo objeto é a prestação de produção e assistência técnica especializada de radiofusão sonora em frequência modulada, com vistas à instalação e operação definitiva dos serviços permitidos”, lembra o vereador. Segundo ele, há “vedação constitucional” no fato de o deputado Sandro Alex firmar ou manter contrato com concessionária de serviço público federal, “sob o risco de ele perder o mandato nos termos dos artigos 54 e 55 da Constituição Federal”.

“A afirmação do deputado Sandro Alex é um desprestígio também a todos os servidores da Secretária Municipal de Saúde que trabalharam no relatório e também a todos os integrantes da Comissão de Mortalidade Materno-Infantil, composta por profissionais do município e do estado e por diversos outros profissionais”, conclui Pietro.