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Presidente do Hospital Evangélico diz que governo do estado atrasou repasses durante seis meses

23 de julho de 2015
Presidente do Hospital Evangélico diz que governo do estado atrasou repasses durante seis meses

Carlos Roberto Justus Madureira foi ouvido na tarde de 23 de julho pelos vereadores que compõem a CEI das Maternidades

Durante oitiva à CEI das Maternidades, na tarde de 23 de julho, no Plenário da Câmara Municipal de Ponta Grossa, o diretor-presidente do Hospital Evangélico, Carlos Roberto Justus Madureira, informou que o governo do estado chegou a atrasar durante seis meses os repasses devidos à instituição por meio das Autorizações para Internação Hospitalar (AIHs). Madureira foi ouvido pelos vereadores Pietro Arnaud (PTB), vice-presidente da Câmara e presidente da CEI; e Amauri Manosso (PT), Taíco Nunes (PTN) e Professor Careca (SD), relatores especiais. A Comissão Especial de Investigação foi criada para analisar situações envolvendo o atendimento médico a gestantes e recém-nascidos em Ponta Grossa.

De acordo com Madureira, no entanto, mesmo após esse atraso, o governo voltou a uma “certa normalidade” desses pagamentos. “Na verdade, isso é um descaso do governo estadual, e não só no caso da saúde, como também em outras áreas. Mas na saúde é essencial. Eu posso dizer que, com essa falta de pagamento, prejudicou o atendimento, não só no Hospital Evangélico, como em outros hospitais de Ponta Grossa. Nós vemos a irresponsabilidade do governo do estado do Paraná quando pregou uma coisa e, infelizmente, está fazendo outra”, disse o Professor Careca, após o final da oitiva.

 

Partos

Durante pouco mais de duas horas e meia (entre 14h01 e 16h46), Carlos Roberto Justus Madureira respondeu aos questionamentos dos vereadores. Segundo ele, de um ano para cá, houve um aumento da ordem de 40% no número de partos realizados pelo Hospital Evangélico – chegando aos atuais cerca de 400 por mês. Desses, pouco mais de 50% são por meio de cesarianas – índice bem acima do recomendado pelo Ministério da Saúde (MS): 25%.

Madureira confirmou que não vem ocorrendo “diálogo” entre as diretorias clínica e administrativa do Hospital Evangélico – conforme já havia sido relatado pelo diretor clínico Adilberto Souza Raymundo durante oitiva no último dia 14 –, e disse que ficou “surpreso” com a notícia suspensão do atendimento às gestantes de fora de Ponta Grossa, durante assembleia realizada no próprio hospital, na noite da última segunda-feira (20). “A 3ª Regional [de Saúde] já está tentando reverter essa situação e também já levamos ao conhecimento do promotor público, que preparou um documento noticiando o hospital e o seu diretor clínico”, contou.

Na sequência, Madureira revelou que o Hospital Evangélico “não tem dívidas” e que o saldo atual em caixa gira por volta de R$ 500 mil – valor que, segundo ele, advém de repasses do Sistema Único de Saúde (SUS), doações e atendimentos particulares. “Mas a ginástica [financeira] é feita todos os dias”, garantiu.

Sobre a lista de 18 itens de medidas que seriam necessárias para melhorar o atendimento do Hospital Evangélico – apresentada à CEI das Maternidades e à imprensa no último dia 12 por Adilberto Souza Raymundo –, Madureira concordou que a maioria delas é realmente necessária. “Tem coisas ali muito fáceis e outras que já existem ou que já estão no orçamento. Mas teremos que tomar providências”, afirmou. Ao questionamento de Amauri Manosso se haveria a possibilidade de fechamento do Hospital Evangélico, Madureira respondeu que “a palavra ‘fechar’ é claro que não passa pela nossa ideia”.

Sobre um dos itens da lista de Adilberto, em especial – “individualizar o fluxo de recepção” –, questionado por Taíco Nunes, Madureira contou que já conversou “em conjunto” com o corpo clínico do hospital e com o próprio Adilberto. “Realmente, isso é uma necessidade”, afirmou, contando que o “avanço” que existe na frente do prédio do hospital deverá permitir uma ampliação para resolver a questão da porta de entrada da instituição.

 

Plantão

Ao final da oitiva, Madureira disse que o livro de procedimentos cirúrgicos do Hospital Evangélico está à disposição da CEI das Maternidades e concordou que uma das principais urgências da instituição é a implantação de mais uma escala de plantões. No entanto, explicou os recursos do hospital, hoje, “são para aquela linha de conforto, mais para o fluxo de caixa”. “Mas, no caso de se criar mais um plantão, que terá um custo mensal fixo, haverá a necessidade de readequação do nosso orçamento”, observou.

“Nós queremos agradecer a sua presença aqui, hoje, e dizer que não queremos destruir ninguém, mas sim ajudar”, disse Pietro Arnaud, durante as considerações finais da oitiva de Madureira. “Já estamos recebendo denúncias de outros hospitais da cidade e quero informar que toda a classe política de Ponta Grossa está preocupada com essa situação”, afirmou Pietro, referindo-se aos deputados federais Aliel Machado (PC do B) e Sandro Alex (PPS) e estaduais Péricles de Holleben Mello (PT), Plauto Miró (DEM) e Marcio Pauliki (PDT) e aos vereadores.

De acordo com Pietro, a CEI das Maternidades aguarda a vinda de outras pessoas que deverão ser ouvidas. Além disso, também deverá ser marcada uma visita da Comissão ao Hospital Evangélico – o que já ficou alinhavado com Madureira.

 

Ofício

Em ofício enviado a Pietro Arnaud em 21 de julho, a 3ª Regional de Saúde informa que o Hospital Evangélico mantém contrato em vigência com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), “pelo qual tem compromisso de atender a gestantes estratificadas como risco habitual” aos municípios de Ponta Grossa, Castro, Carambeí e Arapoti e a gestantes de “risco intermediário” a outros nove municípios da região.

Para cumprir esse atendimento a Sesa disponibiliza, mensalmente, 403 Autorizações para Internação Hospitalar (AIHs) – totalizando R$ 327.795,16 por mês, ou R$ 3.933.541,92 por ano. Além disso, o Hospital Evangélico recebe, a título de “incentivo” do governo do estado, devido a sua participação no programa “Mãe Paranaense”, por meio do “Incentivo para a Qualificação do Parto (IQP)”, um valor de R$ 270 por parto, totalizando R$ 78 mil por mês.

O ofício – assinado pela chefe da 3ª Regional de Saúde, Scheila Tramontin Mainardes, e pelo chefe da Divisão de Assistência à Saúde (DVAGS), Isaías Cantoia Luiz – é em resposta a outro ofício (006/2015), enviado por Pietro ao órgão.

 

Visita

Na manhã de 23 de julho, Pietro Arnaud fez uma visita ao secretário de Saúde de Castro, Julio Cezar Sandrini, que lamentou a suspensão do atendimento a gestantes de fora de Ponta Grossa. Sandrini argumentou que o Hospital Evangélico não deveria ter tomado essa decisão uma vez que existe uma pactuação entre aquele município e a 3ª Regional de Saúde para o cumprimento de 100 AIHs por mês.

(Foto: Divulgação/Gabinete Vereador Pietro Arnaud)