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Rediscutir a München Fest salvaguardando o comércio de Ponta Grossa

14 de dezembro de 2017
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“O Progresso da Civilização nasce do progresso da Cooperação.” (Stuart Mill)

A continuidade da München Fest – e, principalmente, a sua terceirização – suscita reflexões. Embora a 28ª edição da Festa Nacional do Chopp Escuro, realizada entre os dias 5 e 10 deste mês, tenha alcançado grande número de público, conforme foi amplamente divulgado, é preciso rediscutir os objetivos desse evento.

A München Fest é um importante momento para se fomentar o turismo, em parceria com as redes hoteleira e gastronômica e também o comércio local. Mas, em primeiro lugar, para que isso aconteça, é necessário que a festa seja descentralizada do Centro de Eventos, que, embora seja um bom espaço para alguns shows, não possui outros atrativos, além de ser um local distante do Centro e – ainda – de difícil acesso.

Penso que o município deveria discutir melhor mecanismos que possibilitem a distribuição – em forma, principalmente, de divulgação – da München Fest por toda a cidade, criando outros pontos de encontro para os participantes da festa e estimulando os turistas para conhecer a nossa cidade – e não apenas assistirem a um show e ir embora. Tal atitude aqueceria o comércio e uniria o útil ao agradável. E por que isso?

Vários são os momentos em que se observa a existência de um descompasso entre o poder público municipal e o comércio, especialmente durante a realização da München Fest – que, ao invés de estimular a circulação de dinheiro em nossa cidade, acaba estimulando a saída de capital (considerando a data em que a festa é realizada e o pagamento do 13º salário). Some-se a isso o custo altíssimo dos shows que são realizados na München Fest. Eventualmente, se tem um “lucro”.

Mais do que aspectos positivos para o comércio, a München traz consigo inúmeros pontos negativos. Para resolver isso, é necessário que o poder público coloque o setor do comércio na mesa de conversação, ouvindo seus representantes – basicamente, por causa da sua experiência –, e não apenas comunicando-os de suas arbitrárias decisões.

Além de merecer, o comércio tem o direito de opinar e ser ator desse processo envolvendo a realização da München Fest, uma vez que o comerciante, além de cidadão, é advogado da nossa cidade – no sentido de que sempre a defenderá, custe o que custar. E isso se traduz em dados.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), entre janeiro e novembro deste ano, dos 2.381 empregos diretos gerados no município, 583 são do comércio varejista – ou 24,48% (um quarto) do total. Isso, sem contar os empregos indiretos. Sem contar o fato de ser o setor do comércio o responsável por uma grande parcela dos tributos da nossa cidade, que são revertidos em saúde, educação e outras melhorias de que todos desfrutamos.

Os lojistas ponta-grossenses realizam um malabarismo para não fechar suas portas e evitar a queda nas vendas. Logo, é inevitável pensar que a München Fest acaba, de certa forma, impedindo comerciantes – e os próprios vendedores – de terem seus rendimentos aumentados e, consequentemente, crescerem economicamente.

Dados do Caged informam que, em 2016, Ponta Grossa respondeu por 47,91% de todos os empregos gerados na região dos Campos Gerais (que congrega 19 municípios). Dos 177.840 trabalhadores dos setores da indústria; comércio; serviços industriais e de utilidade pública; agropecuária, extração vegetal, caça e pesca; indústria da transformação; construção civil; administração pública; e extração mineral, na região, Ponta Grossa empregou, no ano passado, 85.211. Ou seja, quase a metade de todos os empregos dos Campos Gerais está na nossa cidade.

Logo, diante desses dados, é forçoso afirmar que, se o governo municipal não mudar sua política em relação à München, a festa continuará tendo um impacto negativo. São famílias inteiras que podem ser prejudicadas. Desconsiderar a opinião dos representantes do comércio é matá-lo; matando-o, mata-se a cidade.

A participação efetiva do comércio ponta-grossense na München Fest possibilitaria, portanto, que todos os locais da cidade estivessem também em festa, retirando a concentração da festa do Centro de Eventos. Esse espaço seria reservado para apresentação de shows que seriam realizados diariamente com mais de um artista, podendo o pai de família escolher o dia que deseja para assistir aos shows enquanto economiza seu dinheiro.

É bom lembrar que Ponta Grossa está na Rota dos Tropeiros e tem inúmeros locais para a prática do ecoturismo e o turismo religioso e também a visitação aos locais históricos. A rede de hotéis tem perfeitas condições de garantir o bom atendimento ao turista, fazendo com que ele tenha vontade de voltar a Ponta Grossa. O nosso comércio sempre foi parceiro da Prefeitura. Mas precisa de um estímulo para continuar contribuindo, e não um desestímulo.

Precisamos aumentar a autoestima da nossa cidade e também do comércio, incluindo-o nas decisões; decorando nossa cidade não só para a München Fest, mas também para outras datas, como o Natal, por exemplo, como está acontecendo neste ano. Devemos criar ambientes de lazer e cultura, revitalizando espaços públicos e oferecendo, ao nosso povo e ao visitante, alternativas para que vivenciem a experiência humana, tão transitória e efêmera, com sabedoria, felicidade, alegria, saúde e paz.

*Pietro Arnaud é advogado e vereador.37947852615_a2118471ba_k